Recentemente o Sean deu uma entrevista pro site local da cidade de Denver. Segue a tradução.
Por Brian Campbell
Ok, venda de mais de dois milhões de cópias do primeiro album, checar. Superar decepcionantes vendas de álbuns com o seguinte, checar. Voltar e lançar um álbum maduro e inteligente, checar. Ser adorado por milhões e milhões de fãs por todo o mundo, checar.
É óbvio que isso não soa como uma lista normal para uma banda, mas essa foi a que o Yellowcard seguiu. Seu primeiro álbum Ocean Avenue ganhou completamente a indústria tanto que seus fãs parecem ter esquecido sobre seu álbum seguinte Lights and Sounds, mesmo tendo vendido meio milhão de cópias. Paper Walls é seu último e mais maduro álbum até agora e o (mais) novo som definitivamente não sai da minha cabeça, então preciso que algumas perguntas sejam respondidas.
Encontrei o violinista/backing vocal Sean Mackin para por em ordem minha mente com todas as perguntas.
Algo que eu realmente queria começar e perguntar sobre Paper Walls é que ele soa muito mais maduro. O processo de escrevê-lo mudou todo desde o último álbum (Lights and Sounds) para Paper Walls?
Não, na verdade nós tipo seguimos o mesmo programa que tivemos em Lights and Sounds e Ocean Avenue. Acho que talvez o amadurecimento que você ouve foi de dentro da banda. Sentimos que Paper Walls é o melhor som para oferecer e realmente nos sentimos mais confortáveis. Acho que cada album é como um pequeno ponto na linha do tempo. É muito fácil pra um artista assistir sua carreira de lá, então tipo o que nós oferecemos em Paper Walls sonoramente é o que conseguimos daquela energia, aquela melodia e as coisas em que fomos bons em Ocean Avenue e juntamos tudo com um tipo de grande evolução e aquele afiado rock que tivemos com Lights and Sounds e nós tipo os misturamos e o que você vê é o melhor som do Yellowcard até agora.
Seria seguro dizer que esse amadurecimento do som pode ser atribuído à evolução dos músicos do Yellowcard, e nada a ver com o processo de escrever as letras?
Não, acho que você está certo, é mais como músicos e pessoas também. Sempre fomos emocionalmente transparentes e contamos nossas histórias como a vida traçou. É mais Yellowcard agora com 26, 27 anos do que aos 21, 23, 24.
Seria certo dizer que Paper Walls estaria trazendo o Yellowcard como uma banda em uma nova direção musicalmente?
Acho que seria seguro dizer que com cada álbum estendemos os limites do Yellowcard e claro que não queremos mesmo fazer tudo exatamente igual. Queremos ter algo diferente para oferecer à nossa audiência com cada álbum, mas acho também que em Paper Walls um dos temas entrelinhas é que queríamos mesmo nos divertir. Só queríamos escrever um álbum do Yellowcard que fosse divertido. Não tínhamos nenhuma pressão para alcançar dois milhões de álbuns vendidos no nosso primeiro, e sabe, ninguém ficava lá dizendo, 'vocês só venderam 500.000 cópias no último álbum'. Só foi um tempo para nós ficarmos juntos e curtir a oportunidade que temos e isso é poder escrever um álbum e lançá-lo na gravadora, então poder fazer turnê e promove-lo pelo próximo ano ou dois.
É inteligente o que você disse por causa de todos os fãs que, com Lights and Sounds, queriam que escrevessem outro Ocean Avenue. Foi inteligente seu envolvimento com o processo sem fazer muito o mesmo, bem o que você disse.
Bom, obrigado. Olhando pra trás, com Lights and Sounds foi um pouco diferente, um pouco de partida pra nós. Há algumas escolas de pensamento, tipo você lança o mesmo álbum ou alguma coisa parecida e fãs tocam fogo nele e ninguém se lembra de você de qualquer forma ou você faz alguma coisa um pouco diferente e isso mostra que você tem evolução, é algo que faz os fãs da banda voltarem, sabe, algo do tipo Pinkerton foi pro Weezer ou Dookie foi pro Green Day, é algo onde os fãs podem redescobrir por eles mesmo mas mostra à banda algo totalmente diferente do que eles podem fazer; que eles querem fazer, que eles curtem, o que muda as coisas um pouco e mostra a evolução e crescimento.
Quando escutei Paper Walls pela primeira vez, como o som foi envolvido e amadurecido, eu realmente não achei que soava como um álbum do Yellowcard. Soava inteligente, não simples, e não tão novo como Ocean Avenue ou Underdog foi. Como você disse, na indústria musical de hoje, no gênero que vocês tocam, é muito bom ver uma banda amadurecendo com o terceiro álbum e não parecer como todo mundo, porque existem 524.000 outras bandas que se parecem umas com as outras. Isso é o que eu gosto sobre Yellowcard, e é isso que me mantém como fã. Para mim é empolgante ver pra onde o Yellowcard vai depois de Paper Walls. Nossa, muito obrigado, isso foi muito legal.
Como foi o processo de escolha de Light Up the Sky como o primeiro single?
É basicamente várias pessoas vendendo opiniões, e então há maiores regras, incluindo da gravadora, empresário e no nosso caso nossa agente. Ela é a heroína na vida do Yellowcard; ela esteve lá desde o primeiro dia. A idéia era, nós partiríamos com uma música chamada Fighting, o que foi que dissemos por aqui, o single do Myspace, algo que tenha os fãs do Yellowcard, tipo a geração mais nova na mente onde esteja aquele som e tudo para oferecer. Nós tipo jogamos fora um single que soa como Fighting e poderíamos ir com um tipo de grande balada mas isso não é nosso estilo. Queríamos ir com mais com uma música meio rock, algo como todos os outros singles do Yellowcard, mas um pouco diferente. Queríamos algum tipo de crescimento, alguma mudança; não queríamos mesmo fazer o mesmo tipo de coisa e ver se daria certo ou não. Light up the Sky estava crescendo no nosso conceito e então a NBC veio do nada e disse 'olha nós temos essa série de TV, Heroes'. Tudo é questão de se organizar e no mundo do Yellowcard algumas coisas são trabalho duro e outras são sorte, mas pegaremos isso onde quer que possamos.
Como você é pessoalmente envolvido com o processo de escrever as músicas? Sei que você empresta sua voz a muitas músicas, mas você é envolvido com as letras afinal?
Não, na verdade eu sou um compositor horrível. Toda vez que escrevo algo e penso, oh isso é profundo, é uma coisa tipo ‘as rosas são vermelhas’. Ryan escreve as letras e canta as músicas; ele conta uma história muito bonita. Ele é um ator, o que é seu primeiro talento, estava se formando em Inglês e estudou Shakespeare e todos esses ótimos contadores de histórias e eu não conheço ninguém a não ser Mozart e Bethoven, mas eles contam histórias por conta, então eu tipo me foco na minha área. Isso é o motivo pelo qual nós tipo temos o melhor time do mundo e todos fazem suas coisas e no final do dia somos o Yellowcard.
Você pega a versão finalizada na música e então coloca o violino nele ou você está ativamente envolvido em casa parte da escrita da música?
Fazemos isso colaborativamente para certas músicas e temos alguns jeitos diferentes, mas no final é apenas o jeito do Yellowcard. Em certas músicas eu realmente não ouço um violino então só aguardo e deixo a música ritmicamente ter uma forma e então pego um segundo ponto de vista, como de um produtor, e ele me fala 'olha, você deveria arranjar desse jeito, ou eu gosto dessa parte', enquanto os outros estão trabalhando na parte rítmica. Colocarei a parte de violino mais tarde até eu ouvir os vocais pra ter certeza que não está atrapalhando, ou encontro o momento certo para o violino ter seu tempo de brilhar. Em outras músicas ouço Ryan tocar e imediatamente pego o violino e já logo digo 'ouvi isso agora e quero mesmo ter esse momento'. Somos um time, achamos a hora pra tudo. Algumas vezes fico paradão e Ryan fala 'olha ouvi essa melodia, talvez ao invés de cantar, deveríamos tocá-la no violino', ou eles falam 'olha, estou tocando isso na guitarra, dá uma olhada'. Nós damos uma mão pra todo mundo e é muito do jeito do Yellowcard.
O que você acha de ter se unido a banda com o que você faz musicalmente?
Foi completamente orgânico; não foi tipo uma ocupação de marketing, ou tipo uma banda local querendo se fazer diferente. Fomos pra uma escola de arte e tivemos dançarinos, atores e escritores criativos; fomos todos pro colegial juntos e éramos todos músicos e artistas do nosso jeito. Eu era amigo de um dos membros fundadores, Ben Harper, era membro do circulo de amigos que foi o Yellowcard, aquele tipo de grupinho que bebe cerveja junto nos finais de semana e faz festa na casa dos pais quando estão fora da cidade. Nós poderíamos tentar e ficar fora de problemas, assim o Yellowcard foi concebido. Ben e eu tocávamos guitarra/violino tipo folk acústico e então ele falou 'olha, fizemos essa música' então toquei num show com eles, gravei aquela música, na verdade outra música e então depois daquilo viramos uma referencia importante pra cena local tanto que eles vieram e disseram 'olha, talvez você poderia tocar nessa música', daí comecei a ser um membro da banda escrevendo outras músicas e tocando em outras partes. Uma vez que o Ryan se uniu a banda, ele me ensinou a cantar e sendo violinista meu som era bem sólido e tipo sempre esteve envolvido. Era como um ambiente criativo como uma escola de arte e então é o que fazemos hoje, é como meu trabalho foi incluído no Yellowcard.
Você tem uma música preferida de Paper Walls e então tem uma outra diferente pra tocar nos shows ao vivo?
Claro, como você sabe, todas nossas músicas são como minhas crianças então amo cada uma igualmente. Se tivesse que escolher, gosto da Shrink the World. Não tocamos ela ao vivo ainda e está ficando cada vez mais como referencia mas não é excepcional. Acho que essa música tem tudo o que ele tinha pra oferecer, uma música tipo Fighting mas um pouco mais na cara. Acho que está sendo um pouco despercebida porque há um choque de valor para outras músicas do álbum, mas acho que as pessoas vão descobri-la um pouco mais tarde no circulo do álbum e acho que entre a melodia e a guitarra e violino evidentes, sabe LP traz tanta emoção com a bateria, é uma música muito boa, muito boa junta. Então, uma música que eu gosto de tocar ao vivo é Light up the Sky, acho que essa música tem tantos diferentes estados, e é tão nova pra nós, é ótimo ver o público reagindo ás músicas. Damos muita atenção à audiência e eles nos dão muito de volta, então ver a reação deles durante a música é realmente empolgante pra mim.
É louco pra mim você dizer Light up the Sky porque por alguma razão, no fundo da minha mente, eu tinha apostado que seria Breathing, talvez porque é minha música favorita do Yellowcard. Foi só um palpite.
Believe e Breathing do album Ocean Avenue são definitivamente minhas músicas preferidas para tocar. Believe é muito dura, mas tem uma mensagem entrelinhas que sempre me toca quando vejo coisas que acontece na audiência e a reação é sempre incrível, mas Breathing é aquela ansiedade certeira, tipo, cara que som você quer que comecemos, vamos começar com essa porque é tão recebida loucamente pela platéia.
Agora que todo mundo está acostumado com Paper Walls, que tipo de turnê de outono (primavera no Brasil) podemos esperar?
Agora estamos focados em trazer a mesma pilha que trouxemos nos anos anteriores. Estamos tipo misturando a lista de músicas e repertório, tocando muitas músicas que talvez não tínhamos tocados antes e tocando algumas músicas novas e dando a todos o que querem. Isso é a coisa mais importante mesmo. Estaremos em companhia muito boa, vamos tocar com Sum 41 e com Blue October, e isso nos dá a oportunidade de ir lá e dizer oi pra todo mundo e os lembrar o porque de estarmos fazendo isso. Acho que poderemos ver aquela energia no palco e isso vai basicamente interferir na turnê.
Vocês serão os principais, ou vai ser o Sum 41?
Está escrito como participantes, mas acho que tem tipo uma inclinação a eles serem as ultimas atenções. Eles venderam um pouco a mais de álbuns que nós e é realmente tão legal tocar com uma banda que não tocamos ainda e eles sempre trabalharam tão duro, e então unir forças e se divertir com a platéia é realmente legal. Eles vão fechar os shows.
Você teve a chance de escolher quem vai abrir ou o Sum 41 escolheu então? Teve a chance de falar com eles sobre isso?
Na verdade não sei. Isso é como aqueles bastidores mágicos, o agente do Sum 41 ou do Yellowcard, nem mesmo sei quem vai tocar naqueles shows conosco. Seria algo totalmente legal, nem sei, mas isso é como deve ter acontecido, pra mim.
Foi uma decisão consciente, depois do lançamento do Paper Walls, que vocês não seguiram toda a Warped Tour esse ano?
Fizemos metade dela esse ano, e então tivemos que ir pra fora do país. Tudo foi bom, temos um relacionamento tão bom com Kevin Lyman e a Warped Tour foi tão legal para nos mostrar um pouco de amor e para voltarmos e começar com Paper Walls. Fomos pro Japão e Austrália, foi tão ótimo e estamos curtindo muito.
Parece que nosso tempo terminou. Valeu muito por ter falado comigo.
Obrigado por seu tempo, foi ótimo falar com você.
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